Como Escrever um Artigo Científico: Estrutura IMRaD

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Escrita e Pesquisa
Como Escrever um Artigo Científico: Estrutura IMRaD
Fluxo editorial IMRaD com fichas de introdução, métodos, resultados e discussão organizadas sobre uma mesa acadêmica

O erro mais comum ao escrever um artigo científico é tentar comprimir um TCC inteiro em poucas páginas. O texto fica cheio de histórico, revisão longa, definições demais e uma metodologia que aparece tarde, quase como detalhe. Quando o leitor chega aos resultados, já perdeu a pergunta.

Um artigo não funciona assim.

Aprender como escrever artigo científico é aprender a escolher o que entra e, principalmente, o que fica fora. O artigo precisa defender uma contribuição delimitada: uma pergunta, um método, alguns achados e uma interpretação honesta sobre o que eles significam.

Minha tese é direta: IMRaD não é um molde para preencher seções; é a ordem de apresentação da evidência. Primeiro você mostra por que a pergunta importa. Depois explica como produziu os dados. Em seguida apresenta o que apareceu. Por fim, interpreta os achados sem fingir que eles resolvem mais do que realmente resolvem.

Neste guia, você vai ver a estrutura de um artigo científico, a diferença entre artigo, TCC e resumo expandido, a ordem mais eficiente para escrever, exemplos de formulação e um checklist para revisar antes de submeter ou entregar ao professor.

Se ainda estiver antes da escrita, leia também os guias de projeto de pesquisa, metodologia científica e revisão bibliográfica. Eles resolvem decisões que não deveriam nascer na última semana de redação.


A pergunta que decide o artigo

Antes de abrir o documento, responda uma frase:

Que contribuição este artigo entrega para uma conversa acadêmica específica?

Essa pergunta parece exigente, mas evita muito desperdício. Sem ela, você escreve para "falar sobre o tema". E artigo científico não deveria apenas falar sobre um tema. Ele precisa acrescentar algo: uma análise, uma comparação, uma revisão organizada, um resultado empírico, uma proposta metodológica, uma leitura crítica ou uma sistematização útil.

Veja a diferença:

  • Tema amplo: ansiedade acadêmica em estudantes universitários.
  • Artigo mais defensável: fatores associados a ansiedade acadêmica em estudantes trabalhadores de cursos noturnos, a partir de entrevistas exploratórias.

O primeiro cabe em um livro, em uma campanha institucional, em uma palestra e em dez pesquisas diferentes. O segundo já aponta público, recorte, tipo de evidência e contribuição possível.

Impacto direto: artigo bom diminui o tamanho da promessa.

Essa é uma prioridade que eu defenderia sem muita concessão. Antes de procurar uma frase bonita para a introdução, feche a pergunta. Antes de mexer na formatação, feche o recorte. Antes de escrever o resumo, entenda o que o artigo realmente prova, sugere ou organiza.


O que é um artigo científico na prática

Artigo científico é um texto acadêmico que comunica uma investigação, uma revisão ou uma análise técnica para uma comunidade de leitores capazes de avaliar método, evidências e interpretação. Ele pode ser publicado em periódico, apresentado em evento, entregue como trabalho de disciplina ou usado como produto de pesquisa.

No Brasil, a ABNT NBR 6022:2018 trata da apresentação de artigos em publicações periódicas técnicas e/ou científicas. Ela distingue, por exemplo, artigo original e artigo de revisão, e organiza a estrutura em elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais. Mas aqui entra um cuidado: norma não substitui a regra do periódico, do congresso ou da disciplina.

Se a revista pede Vancouver, não adianta insistir em ABNT. Se o congresso limita o texto a oito páginas, não envie doze. Se o professor pediu um artigo teórico, não force uma estrutura de pesquisa experimental.

O princípio é simples:

DocumentoFunção principalRisco comum
Artigo científicoComunicar uma contribuição delimitadaVirar TCC encurtado
TCCDemonstrar percurso completo de formação e pesquisaFicar longo demais para virar artigo sem corte
Resumo expandidoApresentar síntese de trabalho para eventoPrometer análise que o formato não comporta
Ensaio acadêmicoDefender uma leitura ou argumento teóricoUsar opinião sem sustentação bibliográfica

Na prática, o artigo é mais concentrado que o TCC. Ele não precisa mostrar tudo que você estudou. Precisa mostrar o suficiente para o leitor confiar no caminho e entender a contribuição.


Estrutura de artigo científico: a função de cada parte

A estrutura mais comum de artigo científico inclui título, resumo, palavras-chave, introdução, métodos ou metodologia, resultados, discussão, conclusão e referências. Em muitos campos, essa organização aparece como IMRaD: Introdução, Métodos, Resultados e Discussão.

Nem todos os periódicos usam esses nomes exatamente. Alguns juntam resultados e discussão. Outros usam "materiais e métodos". Artigos teóricos podem trocar "métodos" por "procedimentos de análise" ou explicar o percurso bibliográfico. Revisões podem ter protocolo, critérios de busca e síntese.

O que não muda é a função de cada parte:

Introdução
Por que esta pergunta importa?

Métodos
Como a evidência foi produzida ou selecionada?

Resultados
O que apareceu?

Discussão
O que isso significa diante do que já se sabia?

Conclusão
Que contribuição fica de pé, com quais limites?

Esse mapa evita a confusão mais frequente: colocar discussão nos resultados, revisão de literatura na metodologia, conclusão na introdução e opinião solta em todo lugar.

Artigo científico é uma forma de disciplina textual.


Em que ordem escrever o artigo

A ordem publicada não precisa ser a ordem de escrita. Na verdade, quase nunca deveria ser.

Uma estratégia eficiente é escrever primeiro as partes que dependem menos de retórica e mais de material concreto:

  1. Métodos
  2. Resultados
  3. Discussão
  4. Introdução
  5. Conclusão
  6. Título
  7. Resumo
  8. Palavras-chave

Por que começar por métodos e resultados? Porque essas seções obrigam você a encarar o que existe. Que dados foram coletados? Que corpus foi analisado? Que critérios foram usados? Que achados realmente apareceram?

Introdução escrita cedo demais costuma prometer além da conta. O autor ainda está empolgado com o tema e escreve como se fosse resolver o campo inteiro. Depois os resultados são menores, mais específicos, mais modestos. Isso não é problema. O problema é deixar a introdução inflada e desconectada do que o artigo entrega.

Minha recomendação: escreva uma introdução provisória no início, se precisar se orientar. Mas revise depois dos resultados e da discussão. A introdução final deve preparar o leitor para o artigo que você escreveu, não para o artigo que você sonhou antes de analisar os dados.


Como escrever a introdução sem enrolar

A introdução não é um passeio histórico pelo tema. Também não é uma revisão bibliográfica completa. Ela precisa conduzir o leitor até a pergunta de pesquisa.

Uma boa introdução costuma cumprir quatro movimentos:

  1. Situa o tema em um problema reconhecível.
  2. Mostra uma lacuna, tensão ou necessidade de investigação.
  3. Delimita o recorte do artigo.
  4. Apresenta objetivo ou pergunta.

Exemplo fraco:

A educação é muito importante para a sociedade. Com o avanço da tecnologia, novas ferramentas passaram a fazer parte do cotidiano escolar. Este artigo busca discutir o uso de tecnologias na educação.

O parágrafo está correto, mas quase vazio. Poderia abrir centenas de textos.

Versão melhor:

Depois do ensino remoto emergencial, muitas escolas mantiveram plataformas digitais para tarefas, comunicados e acompanhamento de desempenho. O problema é que a permanência dessas ferramentas não significa, necessariamente, integração pedagógica. Este artigo analisa como professores do ensino médio de duas escolas públicas usam plataformas digitais para acompanhar tarefas de casa e que limites relatam nesse processo.

Agora existe contexto, tensão, recorte e objetivo.

O detalhe que muita gente ignora: a introdução precisa ser curta o bastante para não roubar espaço do artigo e forte o bastante para justificar a leitura. Se você gasta três páginas explicando o tema antes de dizer o que investigou, provavelmente ainda não delimitou o argumento.


Como escrever metodologia: menos etiqueta, mais verificabilidade

Metodologia não é uma lista de palavras bonitas: qualitativa, exploratória, bibliográfica, descritiva. Essas classificações ajudam, mas não bastam. O leitor precisa entender como você chegou aos resultados.

Uma metodologia defensável responde:

  • qual foi o tipo de pesquisa;
  • qual foi o objeto, corpus, amostra ou conjunto de dados;
  • como os dados foram coletados ou selecionados;
  • quais critérios de inclusão e exclusão foram usados;
  • como a análise foi conduzida;
  • que limites metodológicos precisam ser assumidos.

Exemplo fraco:

A pesquisa é qualitativa, exploratória e bibliográfica, baseada em autores da área.

Isso diz pouco. Quais autores? Escolhidos como? Em quais bases? Com que período? Com que critério de leitura?

Versão melhor:

A pesquisa tem abordagem qualitativa e caráter exploratório. Foram analisados 18 artigos publicados entre 2020 e 2025, localizados nas bases SciELO e Google Scholar a partir dos descritores "evasão universitária", "estudantes trabalhadores" e "ensino noturno". A análise organizou os textos em três eixos: fatores econômicos, fatores institucionais e experiências de pertencimento acadêmico.

Perceba a diferença: agora o leitor consegue avaliar o caminho.

Isso vale também para artigos teóricos. Mesmo quando não há entrevista, questionário ou experimento, ainda existe procedimento: seleção de autores, critérios de comparação, corpus documental, recorte temporal, categorias de análise.

Se você não consegue explicar o método em termos operacionais, talvez ainda não tenha método. Tem intenção.


Como apresentar resultados sem discutir antes da hora

Resultados são achados. Discussão é interpretação.

Essa separação parece simples, mas quebra em muitos textos. O autor apresenta um dado e já emenda uma explicação longa, depois traz outro dado, depois volta para literatura, depois opina. O leitor não sabe mais o que foi encontrado e o que foi interpretado.

Na seção de resultados, tente responder:

  • que padrões apareceram;
  • que categorias foram identificadas;
  • que dados chamam atenção;
  • que tabelas, gráficos ou quadros ajudam a visualizar;
  • que achados contrariam a expectativa inicial.

Se houver dados numéricos, apresente sem esconder variação, n ou critério. Se houver entrevistas, traga trechos selecionados com função clara. Se houver revisão bibliográfica, organize os estudos por eixos, não por uma fila de resumos.

Um quadro simples pode resolver melhor que cinco parágrafos:

AchadoEvidência observadaLeitura inicial
Professores usam plataformas para controle de tarefasRelatos recorrentes de envio e cobrança onlineUso administrativo mais forte que pedagógico
Alunos acessam fora do horário escolarMenções a trabalho e internet compartilhadaA ferramenta aumenta flexibilidade, mas também pressão
Feedback continua limitadoPoucos relatos de devolutiva individualDigitalização não garante acompanhamento qualitativo

O objetivo da seção de resultados não é impressionar. É deixar o material claro o bastante para a discussão trabalhar.


Como escrever a discussão: o lugar do argumento

A discussão é onde o artigo mostra maturidade. Aqui você interpreta os resultados, compara com a literatura, reconhece limites e explica a contribuição.

Uma discussão fraca apenas repete:

Os resultados mostram que a tecnologia é importante para a educação.

Uma discussão melhor pergunta:

  • esse achado confirma ou tensiona estudos anteriores?
  • que explicação é mais plausível?
  • que limite impede conclusão mais forte?
  • que implicação prática ou teórica aparece?
  • que pergunta fica aberta?

Exemplo:

Os relatos indicam que as plataformas digitais foram incorporadas principalmente como instrumentos de controle de tarefas, não como ambientes de mediação pedagógica. Esse resultado dialoga com estudos sobre digitalização escolar que diferenciam acesso técnico e integração didática. O achado, porém, deve ser lido com cautela: a pesquisa analisou duas escolas e não incluiu observação direta das aulas.

Esse parágrafo faz três coisas ao mesmo tempo: interpreta, conecta e limita.

Discussão boa não é a parte em que você "fala bonito". É a parte em que você demonstra julgamento acadêmico. Você não precisa inflar o resultado. Precisa explicar seu alcance.


Conclusão: pare de repetir o resumo

Conclusão não deve ser um segundo resumo. Ela precisa fechar a contribuição do artigo.

Uma estrutura útil:

  1. Retome a pergunta ou objetivo.
  2. Declare o principal achado ou argumento.
  3. Indique a contribuição.
  4. Reconheça limites.
  5. Sugira próximos passos sem exagero.

Exemplo:

O artigo analisou como professores de duas escolas públicas usam plataformas digitais para acompanhar tarefas de casa. Os resultados sugerem que o uso predominante ainda é administrativo: envio, cobrança e registro, com pouca exploração de feedback pedagógico individualizado. A contribuição do estudo está em mostrar que permanência da ferramenta não equivale a integração pedagógica. Como limite, a pesquisa trabalhou com um recorte pequeno e não observou diretamente as aulas. Estudos futuros podem comparar esses relatos com práticas observadas em sala e com a experiência dos estudantes.

Repare que não há promessa grandiosa. O texto entrega o que pode sustentar.

Isso é melhor.


Título, resumo e palavras-chave

Título, resumo e palavras-chave deveriam ser escritos no fim, porque dependem do artigo inteiro.

O título precisa ser específico. Não precisa ser poético. Título bonito que esconde objeto, recorte e contribuição atrapalha recuperação e avaliação.

Compare:

  • Fraco: Tecnologia e educação: novos caminhos.
  • Melhor: Plataformas digitais no acompanhamento de tarefas em escolas públicas de ensino médio.

O resumo deve apresentar objetivo, método, resultados principais e conclusão. Em muitos periódicos, isso cabe em 150 a 250 palavras, mas a regra real é a instrução de submissão.

Modelo de resumo:

Este artigo analisa [objeto/questão] em [contexto/recorte].
A pesquisa utilizou [método/corpus/amostra].
Os resultados indicam [achado 1] e [achado 2].
Conclui-se que [interpretação principal], com limite em [limite].

Palavras-chave devem ajudar o texto a ser encontrado e classificado. Escolha termos usados pela área, não apenas palavras que só fazem sentido para você. Em geral, três a cinco palavras-chave bastam.


ABNT, periódico e formatação: quem manda em que

No contexto brasileiro, muita gente pergunta como escrever artigo científico "nas normas da ABNT". A pergunta faz sentido, mas precisa de ajuste.

A ABNT NBR 6022 orienta a apresentação de artigo em publicação periódica técnica e/ou científica. Ela conversa com outras normas, como referências, citações, resumos e numeração de seções. Mas periódicos podem adotar regras próprias ou outros estilos. Congressos também.

Então a ordem de autoridade costuma ser:

  1. Instruções do periódico, congresso ou professor.
  2. Template oficial, quando houver.
  3. Norma indicada nas instruções.
  4. Manual institucional, se a entrega for interna.

Não perca tempo formatando antes de saber o destino do texto. Primeiro descubra onde o artigo será submetido ou entregue. Depois ajuste margens, citações, referências, extensão, figuras, tabelas e arquivos exigidos.

Formatação não salva artigo confuso. Mas artigo bom pode perder força quando ignora regra básica de submissão.


Erros que enfraquecem um artigo científico

Alguns problemas aparecem tanto em artigos iniciantes que vale tratar como checklist de risco.

1. Tema amplo demais

Se o artigo promete "tecnologia na educação", "saúde mental na universidade" ou "sustentabilidade nas empresas", ele ainda está grande demais. Reduza objeto, público, contexto, período ou tipo de evidência.

2. Introdução que vira aula

Introdução não precisa ensinar tudo sobre o tema. Ela precisa preparar a pergunta. Corte histórico excessivo, definições óbvias e parágrafos que não levam ao objetivo.

3. Método decorativo

Chamar a pesquisa de qualitativa e exploratória não explica o procedimento. Mostre corpus, critérios, coleta e análise.

4. Resultado misturado com opinião

Apresente primeiro o que apareceu. Depois interprete. Se tudo vem misturado, o leitor não consegue avaliar a evidência.

5. Discussão sem literatura

Discussão não é desabafo do autor. Compare seus achados com estudos anteriores, conceitos e limites do campo.

6. Conclusão maior que o estudo

Não transforme um recorte pequeno em conclusão universal. A banca percebe. O parecerista também.

7. Referências desalinhadas

Referência não é enfeite. Cite o que sustenta sua decisão teórica, metodológica ou interpretativa. Se a fonte não cumpre função, talvez não precise estar ali.


Checklist antes de entregar ou submeter

Use este checklist na revisão final:

  • O artigo tem uma pergunta ou objetivo claro?
  • O título indica objeto e recorte?
  • A introdução chega rápido ao problema?
  • A revisão de literatura não engole o artigo?
  • A metodologia permite entender como a pesquisa foi feita?
  • Os resultados estão separados da discussão?
  • A discussão compara achados com literatura?
  • Os limites do estudo estão assumidos?
  • A conclusão não promete além dos dados?
  • Todas as citações aparecem nas referências?
  • Todas as referências foram citadas no texto?
  • Figuras e tabelas possuem título, fonte e função clara?
  • O texto segue as instruções do periódico, congresso ou disciplina?
  • O resumo foi escrito depois do corpo do artigo?
  • As palavras-chave são termos reais da área?

Se você só tiver tempo para revisar três pontos, revise estes: pergunta, método e conclusão. São eles que mais denunciam se o artigo está coerente ou apenas bem formatado.


Como transformar um TCC em artigo

Se você está adaptando um TCC, o trabalho principal é cortar.

Não tente levar todos os capítulos. Escolha uma contribuição. Um TCC pode ter história do tema, revisão ampla, detalhes institucionais, metodologia extensa, análises secundárias e apêndices. O artigo precisa de foco.

Um caminho prático:

  1. Escolha um achado central.
  2. Reescreva o objetivo para esse achado.
  3. Corte revisão que não sustenta a análise.
  4. Resuma metodologia sem perder verificabilidade.
  5. Selecione poucos resultados fortes.
  6. Discuta apenas o que esses resultados permitem.
  7. Reescreva título e resumo do zero.

Exemplo: um TCC sobre evasão universitária pode virar vários artigos diferentes. Um sobre estudantes trabalhadores. Outro sobre políticas institucionais. Outro sobre diferenças entre cursos. Tentar colocar tudo em um único artigo costuma produzir um texto pesado e superficial ao mesmo tempo.

O limite dessa estratégia: nem todo TCC vira artigo publicável sem nova análise. Às vezes o material precisa de dados complementares, atualização bibliográfica ou recorte mais rigoroso. Adaptar não é apenas reduzir páginas. É reconstruir argumento.


Leituras de apoio


FAQ rápida

Qual é a estrutura de um artigo científico?

A estrutura mais comum inclui título, resumo, palavras-chave, introdução, metodologia, resultados, discussão, conclusão e referências. Em artigos de pesquisa, muitas áreas usam IMRaD: Introdução, Métodos, Resultados e Discussão.

Posso escrever artigo científico sem pesquisa de campo?

Pode. Artigos de revisão, ensaios teóricos e análises documentais também podem ser científicos, desde que tenham problema claro, critério de seleção, fundamentação e argumento verificável. O que não funciona é chamar opinião solta de artigo científico.

Artigo científico precisa seguir ABNT?

Depende do destino. Se a disciplina, revista ou congresso pede ABNT, siga ABNT. Se pede outro estilo, siga o outro estilo. A regra principal é obedecer às instruções de submissão.

Quantas páginas deve ter um artigo científico?

Não existe tamanho universal. Trabalhos de disciplina podem pedir 8 a 15 páginas. Periódicos e eventos definem seus próprios limites. O tamanho certo é o que permite apresentar pergunta, método, resultados e discussão sem enchimento.

Posso usar primeira pessoa no artigo?

Depende da área, do periódico e do tipo de texto. Algumas áreas aceitam primeira pessoa com naturalidade, especialmente em pesquisas qualitativas e ensaios. Outras preferem escrita impessoal. O critério deve ser convenção da área e clareza, não medo automático.

O que escrever primeiro em um artigo científico?

Escreva primeiro métodos e resultados, se a pesquisa já foi feita. Depois trabalhe discussão, introdução, conclusão, título e resumo. Isso reduz o risco de prometer mais do que os dados sustentam.


Conclusão: artigo bom não é texto grande, e texto responsável

Escrever artigo científico é um exercício de responsabilidade com a evidência. Você escolhe uma pergunta que cabe no formato, mostra como investigou, apresenta o que apareceu e interpreta sem aumentar artificialmente o alcance dos achados.

O texto pode ser elegante. Mas elegância não compensa incoerência.

Um artigo forte não tenta provar que o autor leu tudo, sabe tudo ou resolveu tudo. Ele faz uma coisa melhor: entrega uma contribuição delimitada, verificável e útil para quem pesquisa o mesmo problema.

Se o leitor termina sabendo exatamente o que você perguntou, como investigou, o que encontrou e o que ainda não pode afirmar, o artigo cumpriu seu papel.

Esse é o ponto.